quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O zoneamento da Baixada Santista

Por: Fábio Olmos

O Brasil começou na Baixada Santista, onde Martim Afonso plantou o primeiro povoamento oficial em 1532, e hoje é uma região metropolitana com 1,6 milhão de habitantes fixos (pelo menos o dobro na temporada turística), o maior porto da América Latina e o famoso pólo industrial de Cubatão. Apesar do longo histórico de ocupação e de ser palco de desastres ambientais associados a uma industrialização burra e a uma expansão urbana mais ainda, a Baixada Santista ainda guarda alguns dos maiores tesouros naturais em toda a Mata Atlântica.

As florestas de restinga (ou planície litorânea) de Itanhaem e Mongaguá, ao sul, e de Bertioga, ao norte, abrigam populações importantes de boa parte da lista brasileira da fauna ameaçada de extinção. A menos de uma hora da cidade de São Paulo e apesar do esforço de caçadores, palmiteiros (entre estes se destacam os Guarani da região) e passarinheiros, existem florestas com muriquis, jacutingas, antas, queixadas, pixoxós e onças-pardas. Consta que pintadas frequentam a região, mas ainda não vi suas pegadas ou outras evidências. Mas não duvido de sua presença.

Apesar de muitas destas florestas e daquelas no sopé das encostas serem secundárias (muitas eram bananais que faliram em meados do século XX), a impressionante riqueza de fauna e flora destas florestas fez com que fossem identificadas pelo Programa Biota/Fapesp como prioritárias para o estabelecimento de novas unidades de conservação, o que cobriria uma enorme lacuna no sistema paulista (e nacional) de áreas protegidas e daria alguma garantia de sobrevida a uma das parcelas da Mata Atlântica que mais sofreu com a agricultura e expansão urbana.

Isso também deveria pesar sobre a prática usual entre órgãos ambientais de considerar florestas secundárias como sendo de pouca importância ecológica.

Outro dos tesouros naturais da região está em seus manguezais. Trabalho há cerca de 15 anos com aves aquáticas nos mangues do litoral paulista. Nascido em Santos e neto de um estivador, faz sentido que, como biólogo, me interessasse pelos arredores de casa. Ouso dizer que aquilo que eu e meus colegas achamos é muito interessante. O visitante que percorrer essas formações do grande estuário entre Santos e Cubatão (há empresas que promovem o ecoturismo ali) estará em uma região onde já foram registradas quase 250 espécies de aves, incluindo muitas ameaçadas de extinção e várias raridades regionais.

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